top of page

Livro
Home > livro

livros.png

Álbum de figurinhas: história, significado e experiência de aprendizagem

Àlbum Brochura da UEFA Champions League 2025/2026, com 76 páginas, 60 figurinhas, clubes participantes e destaques da temporada.
“Amar é…”, lançado pela Editora Abril no final dos anos 70, se tornou um marco da cultura pop brasileira, conquistando gerações com suas mensagens afetivas. Nos anos 90, o álbum educativo “Animais de Todo o Mundo”, da Panini, trouxe figurinhas com informações sobre espécies e seus habitats, unindo diversão e aprendizado.

O álbum de figurinhas parece apenas uma brincadeira coletiva; no entanto, oferece uma experiência de organização, memória e construção de sentido. Ao longo de mais de um século, ele deixou de ser simples abordagem comercial para se tornar um fenômeno cultural — e, de certo modo, um tipo particular de livro.

Um dos muitos contextos em que álbuns são publicados é a Copa do Mundo, provocando grande entusiasmo entre os torcedores. Talvez seja esse o álbum mais colecionado em todo o mundo. A edição de 2026 é a maior da história, com cerca de 980 figurinhas distribuídas em 112 páginas. Como a competição trouxe outras novidades — três países-sede (Estados Unidos, México e Canadá) e 48 seleções —, o álbum faz jus à sua dimensão.

Da estratégia comercial ao fenômeno cultural

Esse entusiasmo popular já desperta nas crianças muitas vezes a partir dos 4 ou 5 anos de idade, refletindo a habilidade cognitiva inicial de memória visual, reconhecimento de padrões e interação. E é apenas a face contemporânea de uma tradição que começou no final do século XIX, quando empresas europeias e americanas, especialmente fabricantes de tabaco e sabonetes, passaram a oferecer pequenas imagens como brindes.

dinossauros_edited.jpg

ISBN-13 : ‎ 978-1409562276

O conceito de álbum evoluiu ao longo das décadas. No Brasil, há registros de um álbum surgido em 1900, com 60 figurinhas de bandeiras de países, distribuído por uma tabacaria em São Paulo. Em 1934, a fábrica de balas “A Hollandeza” publicou o primeiro álbum nacional, com cromos a serem colados com cola comum. Na Itália, em 1961, a empresa “Panini” lançou seu primeiro álbum de futebol e, em 1970, o álbum oficial da Copa do Mundo FIFA, o primeiro com distribuição internacional e que desencadeou essa tradição moderna.

As figurinhas autocolantes só se tornaram populares no Brasil por volta de 1979, com o lançamento do álbum "Amar é ...", publicado pela Editora Abril, que trazia o casalzinho nu, criado pela neozelandesa Kim Grove, posteriormente conhecida como Kim Casali. Foi um marco da cultura pop brasileira e teve várias versões ao longo dos anos. Hoje, as criancas vivenciam essa experiência em novos formatos, como o livro-adesivo, que traz stickers para serem colados, mantendo a interatividade e estimulando a lógica desde cedo.

Livro que propõe outra experiência 

Tecnicamente, livro é uma publicação com mais de 49 páginas encadernadas, já completa no momento da compra, e contendo uma obra manuscrita, impressa ou desenhada. Em contraste, o álbum de figurinhas é, por definição, uma obra incompleta e interativa. Seu processo envolve dois custos: primeiro compra-se a brochura, a estrutura a ser preenchida com figurinhas; depois, os pacotes de figurinhas, aos poucos. A obra só se torna “completa” na medida em que o colecionador preenche as lacunas.

O livro tradicional objetiva leitura, estudo ou apreciação de uma história ou conhecimento específico, com elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais (sumário, capítulos e, muitas vezes, bibliografia). O álbum proporciona uma experiência progressiva e interativa de montagem do conteúdo e também social, pois, para finalizar a edição de forma mais econômica e rápida, as pessoas trocam figurinhas repetidas.

 

​Leibniz e a metáfora das figurinhas

“Quem conhece mais figurinhas é mais inteligente” — essa frase é frequentemente atribuída ao filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz, conhecido pela sua admiração pela cultura chinesa e reflexões sobre lógica e organização do conhecimento. Não há evidências diretas, porém, de que Leibniz tenha dito isso literalmente; trata-se de uma questão recorrente em muitos ditados.

Admirador da cultura chinesa e estudioso do I Ching, Leibniz tinha grande interesse por sistemas simbólicos. Ele via a escrita chinesa, composta por milhares de caracteres — muitas vezes chamados ideogramas — como uma forma de lógica altamente organizada, o que pode ter inspirado a ideia de que conhecer muitos símbolos (ou figurinhas) representa capacidade de reconhecimento e associação, elementos centrais do pensamento racional.

Essa dimensão simbólica ajuda a compreender por que o álbum pode ser visto para além do entretenimento.

Para Leibniz, o mundo é constituído de “mônadas” — unidades básicas que se combinam para formar a realidade, como peças de um quebra-cabeça. O conceito dele, de Mathesis Universalis (Matemática Universal), defendia que todo conhecimento (seja o amor, o futebol ou outros temas) poderia ser reduzido a símbolos e organizado logicamente. Nesse sentido, cada figurinha preenchendo seu lugar no álbum lembra como partes se conectam para formar um todo.

Inteligência, no pensamento de Leibniz, não consiste apenas acumular dados, mas em compreender como eles se conectam e formam um mapa coerente do conhecimento — algo que se expressa no álbum de figurinhas, uma atividade que combina diversão e exercício concreto de organização do conhecimento.

logo-png.png
  • Facebook
  • Instagram
  • Pinterest
  • Twitter

Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

Assine nossa newsletter

Email enviado!

© 2025  Sua Criança Consciente - Site By Remember Brasil

bottom of page