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Kamishibai  O teatro de papel japonês

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Butai com as portas fechadas. Na imagem central, versão em que as ilustrações são movimentadas por uma fenda lateral durante a contação de histórias. À direita, outra versão com abertura superior, que facilita a organização e o transporte das lâminas sem que deslizem acidentalmente — um modelo bastante utilizado em escolas e bibliotecas. (Fotos: Wehrfritz.com e Betzold.de)

“Uma caixa de madeira na qual grandes imagens são inseridas para apoiar visualmente uma história.” O Kamishibai não é um livro tradicional encadernado, mas desempenha uma função semelhante. Trata-se de uma forma de contar histórias originada nos templos budistas japoneses do século XII, onde os monges utilizavam emakimono (rolos de pergaminho ilustrados) para transmitir ideais budistas a uma plateia predominantemente analfabeta. 

O termo Kamishibai significa literalmente “teatro de papel”, e a apresentação funciona da seguinte maneira: o narrador posiciona um palco de madeira ou papelão (chamado butai) virado para o público, com suas duas portas frontais fechadas, criando um suspense visual. Quando as portas se abrem, no início da contação, revelam a primeira ilustração da história. Em seguida, o narrador desliza a ilustração para fora, trazendo a imagem seguinte e lendo o texto que está no verso da prancha anterior, muito embora um bom kamishibaya (contador) já tenha sua história decorada. No final da narração, o teatro é fechado novamente para proteger o material ilustrativo.

O Kamishibai, como o conhecemos hoje, é uma herança cultural da grande crise econômica no Japão, no início do século XX, quando muitas pessoas passaram por dificuldades financeiras e desenvolveram uma maneira portátil de entreter o público enquanto vendiam doces. Devido ao seu grande poder de captar a atenção dos ouvintes, a técnica passou a ser utilizada em escolas e bibliotecas como ferramenta pedagógica e de incentivo à leitura, e continua inspirando versões artesanais em diferentes contextos e países.


Na Alemanha, a estrutura costuma ser comercializada em madeira de cor natural ou com as superfícies internas pintadas, para pranchas no formato A3, mas também pode ser encontrada nos formatos A4 e A6, além de haver outras opções para sequências de imagens.

Modelo contemporâneo

Um modelo portátil de butai foi desenvolvido por Carlo Giovani, artista visual ítalo-brasileiro nascido no Rio Grande do Sul e atualmente residente em Portugal. A peça inclui elásticos de ajuste que permitem uma montagem rápida — como mostra um vídeo disponível no Instagram — e pode ser adquirida online por meio da The Poets and Dragons Society, editora parceira na qual o artista publica livros ilustrados de sua autoria.

Reconhecido pelo uso inovador do papel na criação de ilustrações tridimensionais, esculturas e cenários físicos que mesclam o analógico ao digital, Giovani atua como formador e mediador em projetos artísticos e educativos. Seu trabalho já recebeu reconhecimento internacional, incluindo o Malofiej Infographics Award, e integrou seleções e bienais de ilustração.

O modelo portátil de butai criado por ele combina tradição e inovação, tornando a contação de histórias mais dinâmica e acessível, ao mesmo tempo em que mantém a estética e o ritual do teatro de papel japonês. Além de atuar como artista, Giovani compartilha sua experiência em workshops e oficinas pelo mundo.

Kamishibai no Brasil

O Kamishibai também inspira iniciativas no Brasil, como a companhia Teatro Dori, criada em 2019 pela atriz Thyara Nascimento Hirano, na cidade de Rio do Sul, em Santa Catarina. As obras da companhia exploram as relações entre Teatro de Objetos, Contação de Histórias e Kamishibai. A escolha do nome “Dori”, associado à ideia de razão ou bom senso, é, curiosamente, outro legado da cultura japonesa. O termo resulta da junção das palavras “do” (道), que significa “caminho” ou “via”, e “ri” (理), vinculado à à lógica, razão e princípio.​​ 

​​O Teatro Dori deu vida ao personagem Udo, um passarinho que tem uma ponta de lápis como bico e protagoniza o livro infantil que leva seu nome, inspirado em Kamishibai. Concebido de forma que as crianças possam destacar as páginas — lâminas em aquarela — e contar a história ao seu modo, o livro traz um butai de papelão, confeccionado com material reciclado, e uma cartela de adesivos para personalizar e enriquecer a brincadeira.

A ideia de Thyara e de sua amiga ilustradora Christiane Mundim Lindner permite ao leitor explorar a oralidade, experimentando essa forma de expressão. A obra é um convite à imaginação, à amizade e ao poder de criação, e está disponível para compra no site da companhia e na Amazon.com.br.​​​​​​

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Teatro Dori em apresentação pública

Para quem quer aprender a montar a estrutura utilizando papelão, tutoriais e diretrizes são oferecidos em canais do YouTube, como o da Japan House SP Online. Em seu portal, a JHSP disponibiliza artigos sobre essa arte, informações sobre eventos e oficinas de contação — indicadas para crianças entre 4 e 10 anos acompanhadas de adultos responsáveis. Há também apresentações de Kamishibai com Flávia Wolffowitz, mais conhecida como Kamishibai Obasan (tia do teatro de papel); Helen Campos, que atua com narração de histórias para diversos públicos e contação bilíngue em português e alemão; além de Moreno Veloso e Mônica Salmaso.

Edições brasileiras do gênero

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ISBN-13‏: ‎978-6583339201

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Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

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