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Contos de fadas: da tradição oral à literatura e ao audiovisual



ISBN-13 : 978-8538091882
Os contos de fadas pertencem à infância. Eles retratam, de forma simbólica, sentimentos, descobertas e desafios próprios do crescimento humano. Histórias como Branca de Neve, Cinderela e Chapeuzinho Vermelho atravessaram o tempo justamente por dar forma narrativa às experiências emocionais e aos conflitos internos vividos ao longo desse processo.
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Os irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm), nascidos na região de Frankfurt, na Alemanha, dedicaram-se aos estudos da linguística e do folclore e ao registro de fábulas infantis a partir das histórias orais contadas em seu país;
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Hans Christian Andersen, o dinamarquês que se tornou mundialmente conhecido sobretudo por seus contos de fadas, publicados entre 1835 e 1848. Nesse processo, adaptou contos populares até que correspondessem às suas exigências literárias e pudessem ser compreendidos por crianças, como O Patinho Feio e A Pequena Sereia;
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e o francês Charles Perrault, responsável por clássicos como O Gato de Botas e Chapeuzinho Vermelho,
estão entre os autores mais conhecidos do gênero. Suas histórias continuam sendo lidas em voz alta para crianças no mundo inteiro.
Outros autores também tiveram papel fundamental na construção desse imaginário, como o italiano Giambattista Basile, um dos primeiros a reunir contos de fadas em livro; o francês Jean de La Fontaine, conhecido por suas fábulas; e Madame de Villeneuve e Madame de Beaumont, que deram forma à versão mais conhecida de A Bela e a Fera.
Para as crianças pequenas, os contos de fadas têm valor especial. Eles apresentam narrativas cheias de fantasia, com personagens que precisam lidar com seus próprios medos, desejos e conflitos — situações que ajudam os mais jovens a compreender suas emoções e a perceber que dificuldades podem ser superadas. Mesmo ao apresentar situações assustadoras, os contos de fadas oferecem um caminho de resolução, o que ajuda a criança a elaborar esses medos.
Outro benefício está no desenvolvimento da linguagem e da imaginação. A repetição, as rimas e as imagens poéticas ampliam o vocabulário e estimulam a capacidade de expressão. A estrutura simples, com começo indefinido (“Era uma vez”), conflitos bem definidos e desfechos claros (o bem vence o mal), facilita a compreensão da história pelas crianças pequenas.
Transmissão de valores e cultura
Por serem histórias da tradição oral que atravessam gerações, os contos de fadas adaptam-se a diferentes tempos e culturas, transmitindo valores de maneira natural, sem lições explícitas. Histórias como Cinderela falam sobre compaixão e senso de justiça; Chapeuzinho Vermelho alerta para o cuidado com o desconhecido; e O Gato de Botas valoriza a criatividade e a persistência.
O psicólogo Carl Jung entendia esses personagens como arquétipos — figuras simbólicas que representam aspectos da personalidade humana e ajudam a interpretar desejos reprimidos.
No Brasil, José Bento Monteiro Lobato, nascido na cidade paulista de Taubaté, aliou a literatura ao seu trabalho como promotor público, dedicando-se especialmente ao gênero de fábulas e contos. Na década de 1960, a popularidade dos personagens criados por ele na obra O Sítio do Picapau Amarelo — uma série de 23 volumes escritos entre 1920 e 1947 — foi ampliada com a transmissão do programa homônimo pela TV.
A narrativa de Lobato reúne fantasia e ensinamentos transmitidos por personagens como o Visconde de Sabugosa, que organiza as informações de forma acessível; a Tia Nastácia, que representa a sabedoria popular; e a Dona Benta, que mostra como a presença do adulto durante a leitura amplia a experiência e gera diálogo, vínculo e interpretação conjunta da história.
Ao atravessar séculos e diferentes linguagens, os contos de fadas continuam oferecendo uma forma simbólica de compreender a experiência humana desde a infância.

