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​Livro de Contos de fada  Da tradição oral à literatura e ao audiovisual

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Versão amenizada do clássico Chapeuzinho Vermelho, lançada pela Ciranda Cultural:
um dos contos mais famosos e difundidos no Ocidente.

Os contos de fadas pertencem à infância. São narrativas da tradição europeia com uma estrutura própria: reinos, desafios, magia, transformação e desfecho de caráter moral. Mais do que simples histórias, eles funcionam como verdadeiros reservatórios de conhecimento simbólico e místico, retratando a jornada humana. Histórias como Branca de Neve, Cinderela e Chapeuzinho Vermelho atravessaram o tempo justamente por dar forma narrativa às experiências emocionais e aos conflitos internos vividos pelas pessoas ao longo de seu processo evolutivo.

 

Entre os responsáveis por imortalizar essas narrativas, estão:
 

  • Os irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm): nascidos na região de Frankfurt, na Alemanha, dedicaram-se aos estudos da linguística e do folclore, registrando as histórias a partir dos relatos orais de seu país.
     

  • Hans Christian Andersen: o dinamarquês, que se tornou mundialmente conhecido por seus contos publicados entre 1835 e 1848, adaptou narrativas populares para que correspondessem às suas exigências literárias e pudessem ser compreendidas por crianças, criando clássicos como O Patinho Feio e A Pequena Sereia.
     

  • Charles Perrault: o francês, responsável por registrar as primeiras versões escritas de O Gato de Botas e Chapeuzinho Vermelho, consolidou o gênero.
     

Juntos, eles são talvez os autores mais conhecidos do mundo, e suas histórias continuam sendo lidas em voz alta para crianças em todo o planeta.

Outros autores também tiveram papel fundamental na construção desse imaginário, como o italiano Giambattista Basile, um dos primeiros a reunir contos de fadas em livro; o francês Jean de La Fontaine, célebre por suas fábulas; e Madame de Villeneuve e Madame de Beaumont, que deram forma à versão mais conhecida de A Bela e a Fera.

Para as crianças pequenas, os contos de fadas têm um valor especial. Eles apresentam narrativas cheias de fantasia, com personagens que precisam lidar com seus próprios medos e desejos — situações que ajudam os pequenos a compreender suas emoções e a perceber que as dificuldades podem ser superadas. Mesmo ao apresentar situações assustadoras, essas histórias oferecem um caminho de resolução, o que contribui para que a criança elabore seus próprios temores.

Outro benefício relevante está no desenvolvimento da linguagem. A repetição, as rimas e as imagens poéticas ampliam o vocabulário e estimulam a capacidade de expressão. A estrutura simples, com o começo indefinido (“Era uma vez...”), conflitos bem delineados e desfechos claros (onde o bem vence o mal), facilita a absorção da história pela primeira infância.

A moral da história está implícita

Por serem histórias de tradição oral que atravessam gerações, os contos de fadas adaptam-se a diferentes tempos e culturas, transmitindo valores de maneira natural, sem lições excessivamente explícitas. Histórias como Cinderela falam sobre compaixão e senso de justiça; Chapeuzinho Vermelho alerta para o cuidado com o desconhecido; e O Gato de Botas valoriza a criatividade e a persistência.

Ao estudar o impacto psicológico dos contos de fadas, o psicólogo Carl Jung identificou nos personagens figuras simbólicas, nomeando-as como arquétipos — representações de aspectos da personalidade que refletem estruturas fundamentais da psique humana. Para Jung, esses arquétipos ajudam o indivíduo a interpretar desejos e conflitos reprimidos.

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ISBN-13 ‏:‎ 978-8595201392

No Brasil, José Bento Monteiro Lobato, nascido na cidade paulista de Taubaté, aliou sua atuação jurídica como promotor público à escrita de crônicas e contos, publicados em jornais. Embora sua produção literária inicial fosse voltada ao público adulto, a partir da década de 1920 ele redirecionou o foco para a criação de fábulas e histórias infantis. O Sítio do Picapau Amarelo é uma série de 23 volumes de sua autoria, que se tornou o maior marco da literatura infantil nacional. Na década de 1960, a popularidade dos personagens criados por ele foi ampliada com a veiculação de um programa homônimo de televisão.
 

A narrativa de Lobato reúne fantasia e ensinamentos transmitidos por personagens icônicos, como o Visconde de Sabugosa, que organiza o conhecimento de forma acessível; Tia Nastácia, que encarna a sabedoria popular; e Dona Benta, cuja presença amorosa durante a leitura estimula o diálogo, o vínculo e a interpretação conjunta da história. Assim como nos contos de fadas europeus, essas histórias brasileiras continuam sendo transmitidas e reinterpretadas por diferentes linguagens (oral, escrita, literária e audiovisual), mantendo-se vivas, ricas e significativas ao longo dos séculos.

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Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

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