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Livro de Rimas e Parlendas: Quando a infância aprende cantando

Livros de referência do folclore infantil em diferentes culturas

“Um, dois, feijão com arroz;
três, quatro, feijão no prato...”

“Hoje é domingo, pé de cachimbo,
o cachimbo é de barro, bate no touro...”

“Uni-duni-tê, salamê minguê,
o sorvete colorê,
o escolhido foi você!”

Alguns leitores, muito provavelmente, ainda se lembram dessas rimas usadas para escolher uma criança, iniciar brincadeiras, memorizar sequências ou brincar com sons e palavras.

Ignácio de Loyola Brandão, escritor e romancista brasileiro, em seu texto "O Resgate da Magia", descreve um tempo em que videogames e brinquedos comandados por controles remotos não existiam. Não se cogitava sequer a imensa parafernália eletrônica à disposição da criançada hoje.

“Nesse mundo, a imaginação encontrou campo fértil. Brincadeiras tinham de ser inventadas, criadas na hora. Muitos jogos nasceram nas ruas, em momentos de inspiração. Para alimentar esses jogos existiam as cantigas de roda, os trava-línguas e as adivinhações. De contrapeso, as parlendas. A agilidade mental era requerida, o raciocínio exigido”, explica Loyola.

E ele tem razão. Gênios anônimos, por décadas — ou séculos — colocaram em circulação uma produção vasta e divertida. Muito desse patrimônio poderia ter se perdido se pessoas como Theodora Maria Mendes de Almeida não tivessem se empenhado em resgatar esses tesouros. Ela reuniu um amplo repertório de cantigas e parlendas, muitas delas trazidas por povos como portugueses e africanos, incorporadas à cultura brasileira e transmitidas de geração em geração. Seus livros-CD Quem canta seus males espanta (volumes 1 e 2), publicados em 2000 pela Editora Caramelo, registram e valorizam esse patrimônio cultural.

Rimas, parlendas e cantigas de roda estimulam a fala, a memória e a socialização de forma prazerosa. Desenvolvem a consciência fonológica, ampliam o vocabulário, ensinam regras e ritmos, fortalecem vínculos afetivos e contribuem para a preservação do folclore.

A força educativa da tradição oral

No desenvolvimento da linguagem e da alfabetização, rimas e parlendas ajudam as crianças a perceber e manipular os sons da fala e a repetição das cantigas favorece o exercício da pronúncia correta das palavras.

No desenvolvimento cognitivo, a musicalidade e o ritmo facilitam a memorização de conteúdos — como números, dias da semana e cores — além de estimularem a atenção e a concentração.

No desenvolvimento social e emocional, quando cantadas em grupo, essas manifestações criam laços afetivos, ensinam a trabalhar em equipe, promovem o respeito ao outro e favorecem a socialização.

No desenvolvimento motor fino e amplo, muitas cantigas são acompanhadas de gestos, danças e palmas, fortalecendo o tônus muscular, a coordenação motora e a noção de espaço e tempo.

E na preservação da cultura, estimulam a criatividade e a imaginação, introduzindo as crianças à riqueza da cultura popular — processo que, em alemão, recebe o nome de enculturação (Enkulturation) — perpetuando tradições de forma lúdica.

A prática mais comum das editoras indica livros de rimas, parlendas e cantigas desde o nascimento da criança, com maior aproveitamento pedagógico entre 3 e 6 anos:

0 a 2 anos - Rimas curtas e repetitivas, com forte musicalidade, geralmente em livros cartonados, voltados à escuta, à interação com o adulto e à criação de vínculos afetivos. A ênfase não está na leitura autônoma, mas na oralidade e na experiência compartilhada.
 

3 a 5 anos - Parlendas mais longas, cantigas de roda e trava-línguas simples, amplamente utilizados na educação infantil. Nessa fase, destacam-se a memorização, o ritmo, a participação corporal e o prazer do jogo verbal.
 

6 a 8 anos - Rimas mais complexas, jogos sonoros e desafios linguísticos, em diálogo direto com o processo de alfabetização e o desenvolvimento da consciência fonológica. Algumas editoras passam a classificar essas obras como destinadas a “primeiros leitores”.

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Rimas infantis em diferentes culturas

The Oxford Nursery Rhyme Book é uma obra de referência no folclore e na literatura infantil. Trata-se de uma coleção abrangente de cerca de 800 cantigas e rimas tradicionais, compiladas e editadas por Iona e Peter Opie, um casal de folcloristas especializados em tradição oral e patrimônio cultural anglófono. O livro organiza as rimas em seções como canções de ninar, rimas para os dedos dos pés, encantamentos, versos enigmáticos e baladas humorísticas. O texto é enriquecido com aproximadamente 600 ilustrações, muitas delas xilogravuras e gravuras dos séculos XVIII e XIX, que reforçam o caráter tradicional da obra.

Na Alemanha, Hans Magnus Enzensberger (1929–2022) foi um dos mais importantes intelectuais e escritores contemporâneos a reunir versos folclóricos infantis. Sua obra Allerleiauh - Viele Schöne Kinderreime cumpre, na cultura alemã, papel semelhante ao das parlendas, cantigas e trava-línguas em português: divertir, auxiliar a memorização, embalar e servir de base para brincadeiras da tradição germânica.

 

Luís da Câmara Cascudo, considerado o maior folclorista brasileiro, autor de Literatura Oral no Brasil e do Dicionário do Folclore Brasileiro, catalogou centenas de rimas, jogos e canções tradicionais. Mário de Andrade, escritor modernista, realizou expedições pelo país para coletar músicas folclóricas. Veríssimo de Melo publicou Folclore Infantil, obra de referência que reúne acalantos, parlendas e adivinhações. Ruth Guimarães, iniciada por Mário de Andrade nos estudos de folclore e arte popular nos anos 1940, deu continuidade a essa pesquisa com foco na oralidade e nas raízes caipiras do Vale do Paraíba. Autora de Lendas e Fábulas do Brasil (1972) e Calidoscópio: a saga de Pedro Malazarte (2006), ela se definia como uma “caipira orgulhosa” e dedicou décadas a ouvir e registrar as histórias do povo.

Esse imenso repertório continua sendo uma prática pedagógica valiosa, que respeita o tempo e a forma de aprendizagem da criança, constituindo um recurso essencial tanto para pais quanto para educadores da primeira infância.

Edicoes brasileiras do gênero

ISBN-13‏ : ‎ 978-8573400540

ISBN13 : ‎ 978-8573400687

ISBN-13 : ‎ 978-8516085629

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ISBN-13: ‎ 978-8537649213

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Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

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