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Livro de Rimas e Parlendas: Quando a poesia encontra a infância

ISBN-13 ‏: ‎ 978-8531901423

ISBN-13 ‏ : ‎ 978-8561123284

ISBN-13 ‏: ‎ 978-8526015074

Obras de Câmara Cascudo, Veríssimo de Melo, Mário de Andrade e Ruth Guimarães — discípula de Mário de Andrade — constituem referências do folclore infantil brasileiro.

Abrindo possibilidades à imaginação, a partir de hábitos mentais ou de fatos reais, num “simulacro momentaneamente aceito como verdadeiro” — aquele mergulho profundo no faz de conta —, o discurso poético encontra na infância um manancial de inventividade. Manifesta-se em versos rimados, cantados e repetidos, que brincam com sons, sentidos e ritmos, convidando a criança a experimentar a linguagem como jogo e descoberta.

“Um, dois, feijão com arroz;
três, quatro, feijão no prato...”

“Hoje é domingo, pé de cachimbo,
o cachimbo é de barro, bate no touro...”

“Uni-duni-tê, salamê minguê,
o sorvete colorê,
o escolhido foi você!”

Alguns leitores, muito provavelmente, ainda se lembram dessas rimas usadas para escolher uma criança, iniciar brincadeiras, memorizar sequências ou simplesmente divertir manipulando palavras.

Ignácio de Loyola Brandão, em seu texto O Resgate da Magia, descreve um tempo em que a parafernália eletrônica não existia. “Nesse mundo, a imaginação encontrou campo fértil. Brincadeiras tinham de ser inventadas, criadas na hora. Muitos jogos nasceram nas ruas, em momentos de inspiração. Para alimentar esses jogos existiam as cantigas de roda, os trava-línguas e as adivinhações. De contrapeso, as parlendas. A agilidade mental era requerida, o raciocínio exigido”, explica o autor.

Com razão: gênios anônimos, por décadas — ou séculos — colocaram em circulação uma produção vasta. Parte significativa desse "tesouro" poderia ter se perdido se pessoas como Theodora Maria Mendes de Almeida não tivessem se empenhado em resgatá-lo. Ela reuniu amplo repertório de cantigas e parlendas, muitas delas trazidas por povos como portugueses e africanos, incorporadas à cultura brasileira e transmitidas de geração em geração. Seus livros-CD Quem canta seus males espanta (volumes 1 e 2), publicados em 2000 pela Editora Caramelo, registram e valorizam um patrimônio cultural.

A força educativa da tradição oral

Rimas, parlendas e cantigas de roda estimulam a fala, a memória e a socialização de forma prazerosa.

No desenvolvimento da linguagem e da alfabetização, ajudam as crianças a perceber e manipular os sons da fala. A repetição das cantigas favorece o exercício da pronúncia e o domínio progressivo das palavras.

​ ​

No desenvolvimento cognitivo, a musicalidade e o ritmo facilitam a memorização de conteúdos — como números, dias da semana e cores — além de estimularem a atenção e a concentração.

 

No desenvolvimento social e emocional, quando cantadas em grupo, essas manifestações criam laços afetivos, ensinam a trabalhar em equipe, promovem o respeito ao outro e favorecem a a convivência.

 

No desenvolvimento motor, fino e amplo, muitas cantigas são acompanhadas de gestos, danças e palmas, fortalecendo o tônus muscular, a coordenação motora e a noção de espaço e tempo.

 

E, na preservação da cultura, estimulam a criatividade e a imaginação, introduzindo a criança à riqueza da cultura popular— processo que, em alemão, recebe o nome de enculturação (Enkulturation) — perpetuando tradições de forma lúdica.

Indicação editorial por faixa etária

A prática editorial mais comum indica livros de rimas, parlendas e cantigas desde o nascimento da criança, com maior aproveitamento pedagógico entre 3 e 6 anos:

  • 0 a 2 anos — Rimas curtas e repetitivas, com forte musicalidade, geralmente em livros cartonados, voltados à escuta, à interação com o adulto e à criação de vínculos afetivos. A ênfase não está na leitura autônoma, mas na oralidade e na experiência compartilhada.

  • 3 a 5 anos — Parlendas mais longas, cantigas de roda e trava-línguas simples, amplamente utilizados na educação infantil. Nessa fase, destacam-se a memorização, o ritmo, a participação corporal e o prazer do jogo verbal.

  • 6 a 8 anos — Rimas mais complexas, jogos sonoros e desafios linguísticos, em diálogo direto com o processo de alfabetização e o desenvolvimento da consciência fonológica. Algumas editoras passam a classificar essas obras como destinadas a “primeiros leitores”.​​​​​​​​​

Rimas infantis em diferentes culturas

The Oxford Nursery Rhyme Book é obra de referência no folclore e na literatura infantil. Trata-se de coleção abrangente de cerca de 800 cantigas e rimas tradicionais, compiladas e editadas por Iona Opie e Peter Opie, especialistas em tradição oral e patrimônio cultural anglófono.

O volume organiza as rimas em seções como canções de ninar, versos para brincadeiras corporais, encantamentos e baladas humorísticas, enriquecidas por centenas de ilustrações históricas, muitas delas xilogravuras e gravuras dos séculos XVIII e XIX, que reforçam o caráter tradicional da obra.

Na Alemanha, Hans Magnus Enzensberger (1929–2022) foi um dos mais importantes escritores a reunir versos folclóricos infantis. Sua obra Allerleirauh - Viele Schöne Kinderreime cumpre papel semelhante ao das parlendas e cantigas em português: divertir, auxiliar a memorização, embalar e sustentar brincadeiras da tradição germânica.

ISBN-13‏ : ‎ 978-0198600886

​No Brasil, Luís da Câmara Cascudo, considerado o maior folclorista nacional, autor de Literatura Oral no Brasil e do Dicionário do Folclore Brasileiro, catalogou centenas de rimas, jogos e canções tradicionais. Mário de Andrade, escritor modernista, percorreu o país coletando músicas populares. Veríssimo de Melo publicou Folclore Infantil, reunindo acalantos, parlendas e adivinhações. Ruth Guimarães, iniciada por Mário de Andrade nos estudos de folclore e arte popular, deu continuidade a essa pesquisa com foco na oralidade e nas raízes caipiras do Vale do Paraíba.

Esse vasto repertório permanece como prática pedagógica valiosa, respeitando o tempo e a forma de aprendizagem da criança e constituindo recurso essencial para pais e educadores da primeira infância.

ISBN-13‏:‎ 978-3458318156

Edicoes brasileiras do gênero

ISBN-13‏ : ‎ 978-8573400540

ISBN13 : ‎ 978-8573400687

ISBN-13 : ‎ 978-8516085629

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ISBN-13: ‎ 978-8537649213

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Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

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