top of page

Música
Home >música

simbolos-de-melodia-musical-com-muitos-personagens-de-desenhos-animados-de-doodle-para-cri

Música – Canções autorais e a memória afetiva 

entretenimento-acalanto-boi da cara preta-nana_caymmi-1746193794_edited.jpg
conor_e_eric_clapton_foto_reproducao_eri
 Dorival Caymmi compôs "Acalanto" para a filha Nana; Eric Clapton fez tributo ao filho –
os personagens passam, as canções permanecem.

De clássicos como o samba “Espelho” (João Nogueira), que retrata o filho se vendo no reflexo do pai; a balada “Pai” (Fábio Jr.), um dos maiores clássicos nacionais sobre a relação paternal; e o rap “Mãe” (Emicida), que relata as dificuldades enfrentadas por sua mãe para criar os filhos e a gratidão pela força que ela representa, às músicas autorais como “Acalanto” (Dorival Caymmi), feita para sua filha Nana; “Clareana” (Joyce), dedicada às filhas Clara e Ana e marco da MPB maternal; e “Espatódea” (Nando Reis), uma homenagem à filha Zoé — todas unem a intimidade da composição ao universo das relações familiares.
 

Quando um artista compõe algo para expressar sua visão de mundo, seus valores ou um ensinamento — em vez de apenas seguir uma fórmula de mercado — ele está fazendo música autoral. Ela não é um estilo musical em si (como samba ou rock), nem define o tema (se é sobre família ou natureza); refere-se a composições inéditas e produções próprias que revelam a essência e a originalidade do autor.

A música autoral tornou-se uma tendência crescente, especialmente no nicho familiar, onde a busca por conexões genuínas entre gerações tem gerado obras que fogem do comercial e se concentram em memórias afetivas, servindo como declarações públicas de amor. Paralelamente, essas composições impulsionam carreiras ao estabelecerem uma conexão direta entre artista e público, transformando experiências privadas em sentimentos que todos, em algum momento da vida, acabam compartilhando.

No contexto familiar, essas obras eternizam-se como um 'legado ético' ou, quando trazem um apelo social, como 'músicas de consciência'. É o caso de “O Sal da Terra” (Beto Guedes) — cujo verso 'Vamos precisar de todo mundo / Pra plantar o trigo e dividir o pão' soa como uma aula de coletividade a todas as idades — e de “Aquarela” (Toquinho), que recorda a transitoriedade da vida e a importância de viver o presente com imaginação.

“Somos todos diferentes, Sim!” –  diversidade e união

No cenário atual, músicas autorais ganham destaque nas redes sociais. A cantora e compositora Elisa Gatti encontrou, na música, uma forma única de conversar com sua filha sobre assuntos complexos. Conhecida como a “Mãe Musical”, ela cria canções que ajudam pais e educadores a abordar temas sensíveis de maneira leve e afetiva.
 

Elisa começou com uma canção simples para explicar à filha a separação dos pais, sem imaginar que a iniciativa ganharia tanta repercussão. Entre seus vídeos com maior visualização, destaca-se aquele em que aparece ao lado da pequena Chiara cantando “Somos todos diferentes, sim!”. A música foca na diversidade e na inclusão, sendo geralmente acompanhada por ukuleles ou violões com acordes simples, como Dó Maior ou Sol Maior.

Cifra e letra

elisa_gatti_1_edited.jpg
elisa_gatti_2_edited.jpg

Meu amiguinho usa óculos,
o outro é mais alto do que eu,
O corpo tem outro formato,
e eu acho um barato
ter um jeito que é só meu.

 

Minha amiguinha não pode enxergar,
a coleguinha não consegue andar,
as peles são de várias cores,
coloridas feito flores,
como é lindo se misturar…


(Confira a letra completa no site: 
https://youtu.be/rxQhcaHIZhg?is=eCSJfpPTk_CFsK-j)

Benefícios no desenvolvimento e repertório infantil

Por não se guiarem pelas repetições do mercado de massa, as músicas autorais não fortalecem apenas a competência emocional; elas também estimulam:
 

  • Cognição: percepção, memória e capacidade de associação entre sons, imagens e significados;
     

  • Competência social: empatia, colaboração e compreensão das diferenças;
     

  • Coordenação motora: ritmo, percepção corporal e movimentos sincronizados.
     

Entre os nomes que enriquecem esse repertório estão o grupo Palavra Cantada, de Sandra Peres e Paulo Tatit, conhecidos pela sofisticação de sucessos como “Sopa” e “Rato”; o vibrante Mundo Bita, que traz letras educativas e ritmos modernos em canções como “Fazendinha”; o projeto Grandes Pequeninos, de Jair Oliveira e Tania Khalill, que narra o cotidiano infantil em músicas como “Caiu, Levanta”; e Adriana Partimpim, persona artística de Adriana Calcanhotto.

Músicas autorais no mundo

A música autoral é o veículo que os pais (artistas) usam para transmitir o que acreditam ser a sua "verdade". Assim, ela deixa de ser apenas lúdica e se torna um meio de se prestar um tributo a alguém, através do próprio trabalho, ou de se dedicar à educação afetiva.
 

  • Tears in Heaven –  Eric Clapton (1992)

    Trecho: Could it be the same if I saw you in heaven?/ I must be strong, and carry on/ 'Cause I know I don't belong here in heaven.


    Escrita juntamente com  Will Jennings, após a trágica morte de seu filho Conor, de 4 anos, que caiu de um apartamento no 53º andar (aproximadamente 150 metros de altura), em Nova York, a canção é uma reflexão sobre perda, luto e amor eterno. Clapton expressa a dor da ausência, mas também a necessidade de seguir em frente. A música se tornou um símbolo universal, evidenciando como experiências profundamente pessoais podem gerar obras que tocam pessoas de todas as idades, transmitindo sentimentos de empatia e conexão afetiva.

     

  • Isn't She Lovely - Stevie Wonder (1976)

 

Trecho: Isn't she lovely?/ Isn't she wonderful?/ Isn't she precious, less than one minute old? 
 

A música celebra o nascimento de sua filha Aisha (nome árabe que significa ‘aquela que vive’), refletindo a alegria e a gratidão de Stevie Wonder, que é deficiente visual, diante da perfeição da filha recém-nascida. O artista ficou tão extasiado com a paternidade que registrou o som do choro e das brincadeiras de Aisha para incluir na versão original da faixa.

  • Father and Son - Cat Stevens (1970):


Trecho: It's not time to make a change, just relax, take it easy (o conselho do pai)/ From the moment I could talk I was ordered to listen (a resposta do filho).

Originalmente escrita para o musical Revolussia, ambientado na Revolução Russa,  a letra retrata o conflito entre um pai que preza pela estabilidade e um filho que deseja juntar-se à revolução. Stevens diferencia as vozes pelo tom: o pai canta em registro grave, pedindo calma; o filho, em tom agudo e angustiado, expressando seu desejo de seguir o próprio caminho. A obra tornou-se um hino à independência jovem e à prudência (às vezes excessiva) daqueles que já viveram.​

logo-png.png
  • Facebook
  • Instagram
  • Pinterest
  • Twitter

Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

Assine nossa newsletter

Email enviado!

© 2025  Sua Criança Consciente - Site By Remember Brasil

bottom of page