top of page

Música
Home >música

simbolos-de-melodia-musical-com-muitos-personagens-de-desenhos-animados-de-doodle-para-cri

Música – Do eco do cosmos ao canto das musas e ao acalanto

Planck_CMB_pillars_edited.jpg
Musas_edited_edited.jpg
Sons do tempo: à esquerda, o brilho residual do Big Bang revelado no mapa da Radiação Cósmica de Fundo
(missão Planck/ESA); à direita, Apolo dançando com as musas, na pintura de Baldassare Peruzzi — uma
representação mitológica da música.

Cientistas sugerem que o universo teve um início extremamente quente e denso há cerca de 13,8 bilhões de anos, no evento conhecido como "Big Bang". Embora o nome sugira uma explosão "barulhenta", acredita-se que a largada teria sido silenciosa, a princípio.
 

Como o som precisa de um meio material (como o ar ou a água) para se propagar, e no primeiríssimo instante o "espaço" ainda estava surgindo, não havia por onde um ruído ecoar. No entanto, logo em seguida, o universo se tornou tão denso e quente que as ondas sonoras passaram a viajar livremente, criando o que os pesquisadores chamam de oscilações acústicas (as “ondas de bárions”, no dizer científico).
 

Quando o físico John Cramer, da Universidade de Washington, utilizou dados dos satélites WMAP e Planck para converter essas flutuações de energia em sons audíveis, pôde-se ter uma ideia do evento. O resultado foi um zumbido grave e profundo, que lembra o ronco de um motor de jato ou o chiado de uma TV fora de sintonia.
 

À medida que o universo se expandiu e esfriou, essas ondas sonoras "congelaram". No momento em que a matéria e a radiação finalmente se separaram — cerca de 380 mil anos após o início — elas deixaram padrões que ainda podem ser detectados hoje na Radiação Cósmica de Fundo (RCF), o brilho residual do cosmos. Esse sinal é o verdadeiro 'eco' do "Big Bang", guardando o registro das primeiras sinfonias vibracionais que deram origem ao mundo que conhecemos.

A evolução do som

A origem da música não é registrada de forma linear; ela se confunde com a história do próprio universo e da humanidade. Acredita-se que os primeiros humanos imitavam sons da natureza, como o ritmo das ondas e o canto dos pássaros. A voz teria sido o primeiro instrumento, seguida pela percussão corporal (palmas e batidas de pés) e, posteriormente, por instrumentos rudimentares, como flautas de osso e tambores de tronco.
 

Segundo historiadores, na Antiguidade a música era parte integrante do cotidiano, indissociável de rituais religiosos e danças. E povos como os babilônios, gregos e romanos já possuíam seus sistemas musicais. Entretanto, na tradição judaico-cristã, a "paternidade" da música é atribuída a Jubal, citado unicamente no livro de Gênesis (4:21) como o "pai de todos os que tocam harpa e flauta".
 

O nome Jubal (ou Yuval, em hebraico) evoca significados como "riacho" ou o som do shofar (chifre de carneiro), reforçando sua conexão com o fluir sonoro. Ele era descendente de Caim, filho de Lameque e Ada, pertencendo a uma linhagem de pioneiros: era irmão de Jabal, precursor da vida nômade, e de Tubalcaim, mestre de obras em cobre e ferro, o que hoje denominamos metalurgia.

A arte das musas

O significado dessa expressão universal também reside na história. O termo "música" deriva do grego mousiké téchne, que se traduz em "a arte das musas". Na mitologia grega, após a vitória dos deuses do Olimpo sobre os filhos de Urano, conhecidos como titãs, Zeus — rei dos deuses — quis criar divindades para celebrar a conquista e perpetuar a glória de seu panteão. Então, deitou-se por nove noites com Mnemosine, a deusa da memória, que um ano depois deu à luz nove musas.
 

Ao som da lira de Apolo, as musas formavam um coro que encantava todo o Olimpo, a montanha sagrada dos deuses. Originalmente, eram jovens belas (ninfas) dos rios e lagos que habitavam as encostas, onde o som das águas descendo pelas rochas parecia uma melodia natural, criando a ideia de que o lugar era a morada de divindades musicais. Com o tempo, elas expandiram seus domínios e passaram a personificar a inspiração divina não apenas para o conjunto de artes que combinava poesia, canto e dança, mas também para a vida intelectual e as ciências.

Essa conexão entre memória e inspiração atravessou séculos, influenciando grandes pensadores, a exemplo de Friedrich Nietzsche, que chegou a afirmar: "A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio", deixando subentendido que a música não é um mero acessório, mas necessidade, pois ela tem o poder de transfigurar o caos e o fardo da existência em algo suportável e belo.

Benefícios da musicalidade

Além de recurso técnico, a música é uma aliada poderosa no desenvolvimento infantil. O simples ato de ouvir sons, movimentar o corpo e cantar — mesmo que fora do tom, errando letras ou ainda inventando-as — gera benefícios profundos:
 

  • Competência emocional: ajuda a criança a identificar e expressar sentimentos, além de proporcionar prazer e relaxamento.
     

  • Competência motora:  atividades como bater palmas, marcar o ritmo com os pés, "chapinhar" (bater no corpo, na água), batucar e dançar aprimoram a coordenação, o senso espacial e a expressão criativa.
     

  • Competência sensório-motora: a reprodução de gestos e sons estimula a conexão entre o que se percebe e o que se faz, desenvolvendo a noção de espaço e tempo.
     

  • Competência linguística: a melodia, como primeiro estímulo, desperta a intenção comunicativa, o contato visual e a atenção compartilhada — bases da comunicação não-verbal. Enquanto isso, a letra e suas variações sonoras ajudam a criança a perceber o ritmo e as palavras, ampliando o vocabulário.
     

  • Competência cognitiva: a música é feita de repetições e variações previsíveis. Ao lidar com ritmos, pausas e tempos, a criança exercita conceitos de contagem, sequenciação, proporção e frações (divisão do tempo). A percepção de padrões sonoros estimula o raciocínio abstrato e a capacidade de resolução de problemas, criando uma base sólida para o pensamento lógico.
     

  • Competência social: essa linguagem é um convite à interação. Ela cria um senso de pertencimento, fortalece laços afetivos entre adultos e crianças e constrói memórias emocionais que duram toda uma vida.
     

  • Competência intercultural: canções podem promover valores, integração, tradições e crenças, além de serem agentes de transformação social, questionando padrões e inspirando mudanças.

​​Ao refletir sobre o assunto, qual som ou canção que ecoa até hoje em suas lembranças, conectando-lhe com o mundo?

logo-png.png
  • Facebook
  • Instagram
  • Pinterest
  • Twitter

Edilene Florentino Jäger

Jornalista e educadora, com especialização no desenvolvimento infantil de zero a três anos de idade. Desde 2006 integrando equipes pedagógicas de instituições de educação infantil, na Alemanha.

Assine nossa newsletter

Email enviado!

© 2025  Sua Criança Consciente - Site By Remember Brasil

bottom of page