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Portfólio: Do contato sensorial com o livro à produção simbólica



Já existe, neste site, na seção “Identidade”, uma explanação sobre o uso de portfólio como parte de um banco pessoal de dados da criança. Aqui será feito um complemento sobre o tema, porque esse “fichário” ou “pasta” — como costuma ser chamado por educadores para facilitar a comunicação com crianças e famílias — ganhou força como instrumento pedagógico.
E por que motivo? Porque o portfólio é uma forma organizada de registrar as produções, participações e conquistas de um “ator” em determinado período. Ele conta a história e o percurso do aprendizado, servindo como uma memória produtiva, na qual ações significativas são documentadas e evidenciam o avanço do desenvolvimento. Funciona igualmente como instrumento de observação, permitindo que educador e educando reflitam e acompanhem o processo continuamente.
De onde vem a palavra
A palavra "portfólio" vem do inglês portfolio, que, por sua vez, tem origem na língua italiana, derivada do termo portafoglio. Resulta da junção de dois vocábulos do latim: portare, que significa “carregar” ou “levar”, e foglio, que quer dizer folha ou página. Originalmente, designava um estojo utilizado para transportar folhas ou documentos.
À maneira de um catálogo, o portfólio pode ser compreendido como um livro, cuja etimologia também remete à matéria-prima da escrita: a raiz latina de “livro” é liber, libri, termo que designa a fina camada entre a casca e o tronco das árvores utilizada como suporte para a escrita. Constitui, igualmente, um objeto transportável, composto por páginas encadernadas com textos e/ou imagens, tal como uma publicação.
O conceito de portfólio é utilizado em diversos campos da vida humana, como, por exemplo:
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No Campo artístico: coleção organizada de trabalhos de um profissional ou equipe — como ocorre, por exemplo, com o book de modelos — apresentada para evidenciar estilo, personalidade e experiências adquiridas, constituindo ferramenta valiosa para contratação, avaliação e promoção.
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Financeiro: conjunto de ativos financeiros (ações, títulos, moedas, derivativos) que compõem a carteira de um investidor.
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Empresarial: conjunto de unidades de negócio, produtos, marcas ou projetos que formam o conjunto estratégico de uma empresa.
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Político/governamental: conjunto de atribuições ou área de atuação sob a responsabilidade de determinado representante.
O portfólio no percurso do desenvolvimento
Não há certeza de que o portfólio tenha “começado” na Suécia, mas o país é uma das principais referências mundiais em seu uso, devido à forte tradição em documentação pedagógica. Influenciada pela abordagem italiana de Reggio Emilia, a Suécia consolidou o uso de registros (fotografias, falas e produções das crianças) para tornar o aprendizado visível. O portfólio é a ferramenta que organiza essa documentação.
O primeiro currículo nacional sueco para a pré-escola, em 1998, reforçou a necessidade de acompanhar e avaliar a qualidade da educação por meio de registros sistemáticos, o que impulsionou a adoção do portfólio em larga escala.
Na Alemanha e em outros países europeus, ele foi introduzido no contexto educacional da primeira infância como registro das etapas iniciais — a largada do processo de evolução. Lá se reúnem tentativas e realizações da própria criança: os “primeiros passos”, a “primeira vez em que…”, os temas que a movem, seus interesses, desenhos, pinturas, colagens e comemorações.

ISBN-13 : 978-3834602428
O livro que faltava na prateleira
Mais do que um instrumento de registro, o portfólio assume uma dimensão simbólica. Para a criança, representa a capacidade de organizar momentos pontuais do seu crescimento, fomenta sua autonomia e ancora sua identidade. Começa na creche, ganha consistência no jardim de infância e se amplia no contexto escolar.
Esta seção “Livro” foi iniciada com orientações aos pais sobre “Como escolher um livro” — o adulto escolhendo para a criança — e se encerra com o portfólio, pois este é o livro que a própria criança escreve com a sua trajetória, depois de ter explorado tantos outros, adequados à sua idade e ao seu tempo.
Ao fim da passagem pela instituição, ela o leva para casa como quem leva um tesouro: memória viva do que foi, do que aprendeu e do que se tornou. Ele personifica o volume que faltava em sua coleção.