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Técnicas de autodefesa ajudam a enfrentar violência

Atualizado: 23 de abr.


"O conhecimento é (em si mesmo) um poder". De autoria atribuída ao político, filósofo e cientista inglês Francis Bacon (1561-1626), a frase é lembrada com frequência por pessoas da vida pública, professores e estudantes. Bacon, assim como outros pensadores, defendia que o conhecimento advinha, em primeiro plano, da vivência e das apreensões de nossos sentidos, corrente filosófica que recebeu o nome de Empirismo. Em outras palavras, o saber não viria de instintos ou do conhecimento nato, como queriam os racionalistas, mas da experiência prática. Para um jovem que se tornou membro do Parlamento Britânico aos 23 anos de idade, acumulou títulos e cargos importantes, não surpreende que o pensamento e a atividade de Francis Bacon tenham merecido a admiração da sociedade, levando-o a ser considerado o precursor do método científico. O que muitos desconhecem, no entanto, é que o esplendor da vida de Bacon foi manchado, segundo historiadores, por questões morais. Consta que foi ambicioso, egoísta e causou sofrimento a muitas pessoas para alcançar os próprios objetivos. Por usar procedimentos nem sempre lícitos, foi acusado de corrupção, expulso do Parlamento e perdeu os postos que ocupava. A intenção, aqui, não é desprezar a inteligência e muito menos o papel histórico que Francis Bacon desempenhou. Seu exemplo serve para demonstrar que o acúmulo de conhecimento, sem que se saiba usá-lo para o bem comum, não se traduz em poder. É também necessário entender o significado de poder para que se possa servir, adequadamente, de suas ferramentas. De tempos em tempos, vários pensadores conceituaram “poder“. A despeito do entendimento que tiveram (vontade impositiva, capacidade de estabelecer as regras do jogo ou de definir preferências e cooptar seguidores), o poder apresenta-se como condição para atingir um objetivo. Por isso é tão sedutor. Se poder, porém, tem a potência como qualidade, a ausência desta dá espaco à impotência - exatamente o sentimento que assoma em situações de vulnerabilidade.   Nem sempre pessoas em situações de fraqueza são as que detêm menor poder, lembra Heni Ozi Cukier – mais conhecido como professor Hoc – em uma de suas aulas: “Se a gente comparar a capacidade bélica, o número de soldados, de aviões, de porta-aviões, entre uma organização terrorista e o exército americano, este é infinitamente mais poderoso. Só que o terrorismo não é sobre quanto mais armas você tem ou quanto mais forte você seja. É muito mais sobre os efeitos e impactos teatrais de uma ação específica construída para causar medo“. Outra advertência é de que não se deve associar o poder apenas à força fisica, visto que ele transcende esse parâmetro, conquanto a força física seja o princípio da atuação na autodefesa. Defesa pessoal O filme Karatê Kid, de grande sucesso dos anos 1980, foi inspirado em fatos da vida real. Baseia-se na história de um garoto que aprendeu karatê para enfrentar outros meninos que o atormentavam. Entre as lições que ele recebeu do mestre, destaca-se esta: "Lutar não é bom, mas se você tiver que lutar, vença...". Como vencer, porém, quando falta habilidade? E onde desenvolver e aprimorar habilidades para se estar pronto?

Jerônimo Marana, professor de LaoQiGong e Hankido, destaca que confrontos físicos são dinâmicos e que a possibilidade de uma pessoa ser atacada exatamente do jeito que aprendeu a se defender é praticamente zero. "Por isso, essas técnicas de defesa pessoal feminina costumam não funcionar". O treinador é da opinião de que a defesa pessoal precisa ensinar a pessoa a reconhecer a agressão e a agir antes que aconteça.  


Ensina ainda, que, se for preciso defender-se fisicamente, essa defesa deve ser apenas uma questão de sobrevivência. "Um golpe não teria necessariamente a função de nocautear o agressor, seria apenas para atrasá-lo o suficiente, de modo que a pessoa consiga fugir e buscar ajuda. Mais do que isso pode levar a correr um risco desnecessário. Na defesa pessoal não buscamos vitória. Vitória é coisa de campeonato", enfatiza Marana, para quem a solução no combate à violência é desenvolver a coragem. Foco em pontos fortes Diferentes métodos pedagógicos contra a violência propõem o fortalecimento social e emocional das crianças, para que elas mais tarde possam lidar com outras pessoas e situações difíceis. Em síntese, o foco da abordagem não se mantém apenas nas deficiências e sim, acima de tudo, no que as crianças podem por si próprias e no que trazem nelas mesmas. A ênfase nos pontos fortes segue, em geral, os seguintes passos:

  • Transmissão de valores – é um legado imaterial, transportado de geração em geração. Começa em casa e deve ser multiplicado pelas instituições. Muitas crianças não têm lar fixo e dependem de acolhimento institucional. Quando as instituições responsáveis, inclusive a família, não cumprem com o seu compromisso, a convivência em sociedade fica ameaçada.  

  • Autoafirmação  - habilidade de exigir respeito pelas próprias vontades e limites pessoais contra ataques de todas as formas: mobbing, discriminação, agressões verbais ou físicas etc. Não confundir autoafirmação com autoestima, que é um sentimento de amor e respeito por si mesmo – o olhar para dentro – e por isso depende menos das aprovações e avaliações alheias. A autoafirmação estaria mais associada ao ego, quando se parte da necessidade de se afirmar para si o próprio valor e de prová-lo aos outros – o olhar para fora (BRUMATI, 2018).  

  • Ter interesse e prazer pelo movimento – o movimento é a base para diversos processos de aprendizagem e pré-requisito para o desenvolvimento de habilidades motora, cognitiva, emocional, social, linguística. Além disso, a prática de exercício físico aumenta a produção dos hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar e satisfação.   

  • Autodefesa aprender a se defender em situação de emergência (legítima defesa), conhecendo pontos de pressão nervosa para imobilizar o agressor, sem machucá-lo seriamente.


Artes marciais Não se pode precisar a data do surgimento das artes marciais, também conhecidas como “artes de guerra“. Sabe-se que a origem está relacionada a métodos de defesa e combate em conflitos. O termo arte marcial, por sua vez, tem origem na Roma antiga e deriva do deus romano Marte, o qual teria ensinado a técnica de luta aos humanos. A característica comum entre as diferentes técnicas é a busca por proteção. Ao longo dos anos, várias delas foram adotadas como atividades esportivas, sendo regulamentadas por órgãos representativos. Todos os continentes desenvolveram artes marciais, sendo as orientais (chinesas, coreanas, japonesas), as que ganharam maior popularidade.

É bem verdade que futebol, natação ou balé são as opcões mais comuns quando os pais decidem inscrever a criança em cursos de atividade física. Outras modalidades, no entanto, podem oferecer benefícios à saúde infantil e ajudar a diminuir riscos como sedentarismo e obesidade. Embora estabelecimentos, nos quais as artes marciais são oferecidas, aceitem menores a partir de três anos de idade, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que a prática seja iniciada apenas entre 5 e 7 anos. As mais indicadas: 

  • Taekendô – arte marcial coreana cujo nome é composto por três palavras: Tae, significa pé, refere-se a todas as técnicas de pernas e saltos; kwon, significa punho, refere-se a todas as técnicas de mão e bloqueio; do, simboliza o caminho, e aponta para o processo de amadurecimento físico e mental. Treina habilidades de coordenação, velocidade, equilibrio e reação, além de transmitir valores como honra, autodisciplina, determinação e senso de justiça.

  • Jiu-jítsu – alguns historiadores afirmam ter surgido na Índia, onde era praticada por monges budistas; outros, que proveio da China e depois difundiu-se no Japão, onde guerreiros a aperfeiçoaram. Técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, evita o uso da força e de armas, embora alguns estilos contemplem armas, golpes, projeção, imobilização e luta no chão. O Jiu-jítsu brasileiro tem linhagens distintas e dá ênfase à luta no chão.

  • Judô - de origem japonesa, é a arte marcial mais difundida no mundo. Foi criada a partir da interação de antigos estilos de Jiu-Jítsu. Tem como princípio a máxima eficiência com o mínimo de esforço do corpo e do espírito. Baseia-se em técnicas de braço, de quadril, de perna e de sacrifício, valorizando o respeito, a ética e o autocontrole. A luta enfatiza a utilização da força do adversário contra ele mesmo.

  • Karatê – originário da ilha de Okinawa, no Japão, é conhecido por seus movimentos de ataque e defesa. Treina condicionamento físico, técnicas de movimento que exigem coordenação e flexibilidade, desenvolvendo consciência corporal e equilíbrio. As técnicas aprendidas só podem ser utilizadas para autodefesa.

  • Capoeira –prática desenvolvida por negros africanos escravizados como forma de resistência à opressão dos senhores e de preservação de suas identidades culturais. Mistura elementos de dança, música e jogo. Caracteriza-se por um sistema de defesa e ataque que pode ser utilizado individualmente, em duplas ou em conjunto, por meio de movimentos ritmados. Além do condicionamento físico, promove a cultura e a história brasileira.

  • Muay Thai – também conhecido como o boxe tailandês. É uma modalidade na qual todos os oito membros são usados em combate. Cada par de membros representa uma dupla de armas: duas mãos, dois cotovelos, duas pernas e dois joelhos compõem a arte dos oito. Estimula o pensamento estratégico, o desenvolvimento muscular e o aumento da flexibilidade e força de todo o corpo.

Como escolher Uma das formas de avaliar as técnicas, antes mesmo que a criança, junto com os pais, opte por uma delas, é fazer um curso experimental (schnupperkurs, termo muito usado em alemão). Isto é, conferir uma aula. Deve-se levar em conta que os benefícios, os quais vão muito além de aprender a gritar “Pare, eu não quero!“, com o gesto da mão aberta erguida no ar, nem sempre dependem da modalidade em si, mas da adequação ou não da técnica à criança. O exercício deve ser prazeroso e não pesaroso.


Outro aspecto, além do empírico, o que mais uma vez nos remonta à figura de Francis Bacon – citado no início deste artigo – é o moral. Ainda que a prevenção contra a violência seja fortalecida, enquanto o ser humano não for conscientizado de que é, por natureza, um ser social e, por conseguinte, vive em sociedade e precisa estar em conformidade com os princípios básicos que a orientam, não se vislumbra solução.


Caso os pais ou responsáveis não estejam convencidos/as de que artes marciais possam ajudar a sua criança a adquirir autoconfiança, ou oferecer a ela uma sensação de segurança, existem outros recursos. Nos artigos Armas de brinquedo conferem poder e força e Pais devem educar-se para perceber são abordadas, respectivamente, a competência emocional para lidar com a violência, e como a violência pode ser gerada por magnetismo, ou seja, emissão de vibrações que atraem pessoas e situações na mesma frequência.

Referência: BACON – VIDA E OBRA. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1999. FRANCIS BACON: “O CONHECIMENTO É EM SI MESMO UM PODER”. Super Interessante, 23.10.2015. Ideias. Disponível em: https://super.abril.com.br/ideias/o-conhecimento-e-em-si-mesmo-um-poder-francis-bacon. Acesso em: nov. de 2023. CUKIER, Heni Ozi (Professor HOC). Introdução ao Poder. YouTube, 10.06.2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rGvDQE0y2vA. Acesso em: nov. de 2023. PODER. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/poder.htm. Acesso em: nov. de 2023. FIGUEIREDO, Ana Luiza. “Karatê Kid”: Conheça a história verdadeira que inspirou o filme. Olhar Digital, 26.05.2022. Cinema e Streaming. Disponível em: https://olhardigital.com.br/2022/05/26/cinema-e-streaming/karate-kid-conheca-a-historia-verdadeira-que-inspirou-o-filme/. Acesso em: nov. de 2023. MARANA, Jerônimo. 4 Verdades Sobre Defesa Pessoal Feminina e 1 Solução. Jeronimomarana.com, 25.02.2019. Disponível em: https://jeronimomarana.com/4-verdades-sobre-defesa-pessoal-feminina/. Acesso em. nov. de 2023. MARANA, Jerônimo. 4 Verdades Sobre Defesa Pessoal Feminina que ninguém assume! YouTube, 27.02.2019. Diaponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sFbRAFTUCnk. Acesso em: nov. de 2023. BRUMATI, Camila. Diferença entre auto estima e auto afirmação. Intuição Poética. YouTube, 28.11.2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WAnR1bZNLxM&t=435s. Acesso em: nov. de 2023. QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE O JIU JITSU BRASILEIRO E O JIU JITSU JAPONÊS? Quora, 2019. Disponível em: https://pt.quora.com/Quais-são-as-diferenças-entre-o-Jiu-Jitsu-Brasileiro-e-o-Jiu-Jitsu-Japonês. Acesso em: nov. de 2023. ARTES MARCIAIS PARA CRIANÇAS: POR QUE INCENTIVAR A PRÁTICA NA INFÂNCIA?. Viver Bem, Unimed Belo Horizonte, 24.11.2021. Qualidade de Vida. Disponível em: https://viverbem.unimedbh.com.br/qualidade-de-vida/artes-marciais-para-criancas/. Acesso em: nov. de 2023. CONHEÇA OS TIPOS DE LUTAS INDICADAS PARA CRIANÇAS. Zanshin.com.br, 03.08.23. Disponível em: https://www.zanshin.com.br/blog/conheca-os-tipos-de-lutas-indicadas-para-criancas. Acesso em: nov. de 2023. OS BENEFÍCIOS DA CAPOEIRA PARA CRIANÇAS. Blog Instituto Mood, 16.10.2017. Disponível em: https://www.institutomood.com.br/blog/os-beneficios-da-capoeira-para-criancas/. Acesso em: nov. de 2023. AFONSO, Lucas. Capoeira. Brasil Escola, UOL. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/educacao-fisica/capoeira.htm. Acesso em: nov. de 2023.

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